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The Good Place: Muito mais que simples uma comédia

The Good Place

Comecei a assistir “The Good Place” por uma única razão: Kristen Bell. Desde Veronica Mars sou apaixonado pela atriz e sempre que possível acompanho as produções que ela participa. Felizmente em seus dois primeiros episódios a série já me conquistou, pelo seu humor leve, mas inteligente e logo se tornou a minha série favorita de assistir enquanto estou comendo.

 

O que é o “The Good Place”?

A premissa “The Good Place”, é bem simples (ou parece bem simples), Eleanor Shellstrop (Kristen Bell) morreu e foi parar no tal “The Good Place” ( O Lugar Bom — para quem não fez Fisk /tipo eu), que sem forma melhor de explicar, é basicamente o céu cristão, onde só pessoas que tiveram uma vida repleta de bons feitos e amor ao próximo consegue chegar quando morrem. O pulo do gato é que Eleonor na verdade foi uma pessoa horrível em vida. Ela percebe que está ali por engano e decide se tornar uma pessoa melhor, mesmo depois de morta, para que quando eventualmente descobrirem o engano, ela possa continuar no paraíso.

Início de um sonho

Lembro que lá em 2016 na primeira temporada, enquanto dividia a atenção entre o meu almoço e “The Good Place”, mesmo a enxergando como uma série de humor leve e despretensioso, sentia ali havia algo a mais, que eu não conseguia explicar — basicamente porque sou lerdo — mas eu ficava com aquela pulga atrás da orelha tentando descobrir o que era. Até que veio a season finale e como um tiro certeiro na minha cara, aquele plot twist me fez perceber “The Good Place” de uma forma totalmente diferente: Eu estava presenciando uma das séries mais inteligentes já escrita na história da humanidade (o exagero foi proposital).

Com os passar das temporadas aquela certeza só foi se concretizando mais e mais. Mesmo com muitas pessoas dizendo que a narrativa da série estava cansando ou que a terceira temporada foi a mais fraca, eu — por puro fanboyzismo, talvez — nunca consegui enxergar esses defeitos que todo mundo apontava, pois pra mim todos os episódios — até mesmo aqueles com ar de filler — tinham um propósito maior. Bom, e eu não sei vocês, mas acho que eu estava certo. “The Good Place” não é apenas uma série de comédia qualquer, eu na verdade estava acompanhando uma uma aula de filosofia misturada com cultura pop, algo que só gênios conseguem fazer.

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Deu tudo certo

Com spoilers

Em janeiro de 2020 a série chegou ao fim em sua quarta temporada e, meus amigos, eu não estava preparado. Nessa última temporada, “The Good Place” mergulha de cabeça na filosofia existencialista. Ao chegar no tão sonhado Lugar Bom, nossos personagens se deparam com mais um desafio: a vida eterna. Aquilo que seria o “paraíso” é um fracasso, já que o ser humano em sua natureza é movido pela sua mortalidade. Quando desfrutamos de todos os prazeres da vida (ou do pós vida) e alcançamos todos os nossos objetivos, o que mais nos resta fazer durante resto de toda a eternidade? A eternidade é tempo pra caramba!

A forma com que esse ponto é resolvido é tão bem elaborada e tão intrinsecamente ligada ao desenvolvimento dos seis protagonistas, sejam eles humanos, demônios ou a Janet e foi um dos desenvolvimentos mais bonitos de se acompanhar. É muito perspicaz a forma com que todos estes personagens tornam-se de fato quem eles acreditavam (ou fingiam) ser no início da série e é difícil não segurar as lágrimas com o desfecho que cada um deles têm no final.
“The Good Place” definitivamente entrou no hall das minhas séries do coração e embora um lado meu fique triste que não terei mais minha companheira de almoços semanais, fico feliz pelo final tão satisfatório e coerente. E acredito, inclusive que ela se tornará um marco na história da TV.
Aqui em casa ela já é!

 

Texto postado originalmente em Fevereiro de 2020

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