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Mortal Kombat 2 chega tentando corrigir alguns muitos erros do primeiro filme, mas acaba escancarando uma dificuldade que parece cada vez mais comum em blockbusters recentes: equilibrar espetáculo com intenção. A direção de Simon McQuoid continua apostando no impacto visual e na violência estilizada e, nesse ponto, o filme acerta. Mas existe uma sensação constante de que tudo está ali mais preocupado em agradar rapidamente do que em construir algo que realmente permaneça.

Na trama, acompanhamos a continuação direta dos eventos do primeiro filme, com a ameaça de Outworld se intensificando e colocando a Terra diante de um confronto decisivo. Novos personagens entram em cena, enquanto figuras já conhecidas ganham mais espaço dentro de uma narrativa que caminha para o embate contra Shao Kahn.

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Mais personagens, mais caos e um conflito maior

O maior acerto do filme está, sem dúvida, na forma como abraça o absurdo e a brutalidade que sempre definiram Mortal Kombat. As cenas de luta são mais criativas, mais violentas e muito mais fiéis ao espírito dos jogos. Existe um prazer quase imediato em assistir a esses confrontos, principalmente quando o filme se permite ser exagerado. É o tipo de entrega que funciona muito bem para fãs (e que claramente foi pensada para eles).

E dentro desse caos coreografado, Adeline Rudolph (como Kitana) simplesmente domina. Existe presença, elegância e, principalmente, uma construção que falta a praticamente todo o resto do elenco. Ela não só se destaca, ela cria um contraste que evidencia ainda mais o quanto o filme poderia ter sido melhor se tivesse dado o mesmo cuidado a outros personagens.

Humor em excesso e uma história sem peso

Karl Urban como Johnny Cage puxa o filme para outro lado (e aqui entra uma escolha que pode dividir opiniões). O humor é constante, às vezes até insistente, mas também conversa diretamente com essa proposta mais leve e descompromissada que essa continuação parece buscar. Na percepção de uma pessoa que não curte essa mescla exagerada de ação e comédia, isso dilui o impacto emocional que o longa poderia ter e também impede o filme de se levar minimamente a sério.

O roteiro continua sendo o ponto mais frágil. Mesmo com mais personagens e um universo mais expandido, falta profundidade, falta desenvolvimento e, principalmente, falta intenção narrativa. Tudo acontece rápido demais, como se o filme estivesse sempre correndo para a próxima luta. Talvez isso não seja exatamente um problema dentro da proposta de divertir com o espetáculo. O problema é que, ao não tentar mais, o filme também se impede de ser mais.

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No fim, Mortal Kombat 2 funciona melhor quando aceito como um filme de impacto imediato. Ele entrega lutas criativas, violência estilizada e um ritmo que dificilmente deixa o público entediado. Mas também é um filme que se esgota rápido, que troca construção por intensidade e que aposta tanto no momento e na graça que acaba abrindo mão de qualquer permanência na memória. Diverte? Sim… só não deixa uma marca duradoura.

Mortal Kombat 2 estreia hoje nos cinemas brasileiros. E aí, vai assistir?

Assista ao trailer oficial de Mortal Kombat 2:

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Escrito por

Hugo Vicente

Trans não binária colaboradora do {Des}Construindo o Verbo e Criadora de Conteúdo Digital. Atuo na produção de críticas (em texto) e reviews (em vídeo) de filmes e séries em parceria com o veículo, desenvolvendo conteúdos que articulam análise audiovisual, cultura pop e perspectiva LGBTQIAP+. Me sigam no instagram: @hudoodle.