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Se há alguns anos atrás a Marvel era aclamada por seus filmes interconectados que formavam um universo compartilhado coeso, desde o épico Vingadores: Ultimato, a sensação é de que o estúdio perdeu um pouco o rumo. Com tantas produções anuais, a impressão é de que não há um planejamento a longo prazo, e pior, muitas vezes deixando o público saturado. Um exemplo disso é a série “Invasão Secreta”, baseada nos quadrinhos de mesmo nome da Marvel, que chegou ao Disney Plus com altas expectativas, mas acabou por não cumprir sua promessa.

A trama se passa após os recentes no Universo Marvel e acompanha o agente da S.H.I.E.L.D., Nick Fury, interpretado brilhantemente por Samuel L. Jackson, que estava desaparecido, e apenas poucos conhecem o seu verdadeiro paradeiro e identidade. A trama se desenrola nos “dias atuais”, quando Fury toma conhecimento de uma invasão secreta de Skrulls que está ocorrendo na Terra. Esses alienígenas possuem a habilidade de se metamorfosear em outras formas, incluindo formas humanas. Agora, cabe ao ex-comandante da SHIELD se infiltrar em organizações especiais para descobrir quem são esses seres disfarçados e quais são suas verdadeiras intenções.

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Eu particularmente não vejo problema no tom engraçado que a maioria das produções da Marvel possui, mas é claro que quando o estúdio aposta em um tom mais sério, as produções tendem a ter uma qualidade maior em relação às outras, vide filmes como a trilogia do “Capitão América” e os dois filmes do “Pantera Negra”. Dito isso, desde o seu anúncio, “Invasão Secreta” vinha com grandes expectativas, já que ela prometia ter um tom mais sério, trazendo tramas políticas e de espionagem, algo similar ao que vimos em “Capitão América: O Soldado Invernal”. A série até possui esse tom, os dois primeiros episódios conseguem trabalhar muito bem o suspense da trama, instigando nossa curiosidade e nos deixando ansiosos para o que está por vir. No entanto, infelizmente, a partir do terceiro episódio, a narrativa muito de sua força, parecendo se arrastar sem uma direção clara. É como se estivesse indo “de nada a lugar nenhum”, o que deixa o espectador um pouco decepcionado.

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Um dos principais problemas de “Invasão Secreta” foi repetir um erro comum em diversas produções da Marvel: trabalhar uma ameaça global sem justificar a falta de ajuda de outros heróis. Não faz sentido a humanidade está correndo risco de extinção e Nick Fury que com certeza tem um grupo no zap com todos os heróis do MCU não ter chamado ninguém para ajudá-lo. O roteiro não conseguiu fornecer uma explicação convincente para a ausência dos Vingadores ou outros personagens poderosos. Esse ponto enfraqueceu a trama e tornou a história menos crível.

Outro aspecto que a série pecou foi em relação ao vilão Gravik, interpretado magnificamente por Kingsley Ben-Adir. Apesar da impressionante atuação do ator, o personagem acabou sendo mal desenvolvido, Ben-Adir teve que tirar leite de pedra para conseguir dar alguma camada para um vilão que Inicialmente é apresentado como imponente e assustador, mas que no final se mostra ter motivações rasas que mais parecia um adolescente ressentido por ter sido contrariado.

 


Por outro lado, um dos grandes destaques da série, sem dúvida, foi a personagem Sonya, interpretada de forma brilhante pela talentosa Olivia Colman. A atriz acerta em cheio no tom da personagem, trazendo profundidade e carisma a Sonya, uma personagem que poderia ter caído muito fácil no caricato, mas Olivia, como sempre, está impecável e, é evidente o quanto a atriz estava se divertindo no papel. (Ela inclusive, implorou para ter um papel no MCU).

“Invasão Secreta” foi vendida como uma série mais séria e violenta, é de fato ela é, acredito ser a produção da Marvel com mais sangue, mas na realidade parece ter sido apenas um artifício para esconder o roteiro fraco. A trama se perde em algumas subtramas mal executadas, e o desenvolvimento dos personagens acaba deixando a desejar. É uma pena ver atores talentosos e personagens icônicos sendo subutilizados em uma história que não cumpre suas promessas.

Falando em desperdício, precisamos falar sobre o que fizeram com a Maria Hill, um desserviço gigantesco. Depois de ser tão subutilizada durante esses anos, era a chance da personagem brilhar e no final ela apenas morre para desenvolver o personagem masculino, o mesmo que rolou com Viúva Negra.

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“Invasão Secreta” tinha um potencial incrível em suas mãos, mas é notável que o roteiro e a direção falharam em aproveitar todo o potencial que a série tinha em mãos. Ela tinha a trama, o elenco, personagens ideais para ser algo realmente especial, mas por algum motivo o roteiro e a direção simplesmente não estavam lá e eu deixava cada episódio completamente indiferente à ideia de assistir o próximo. E tudo fica mais frustrante quando lembro que em sua 4ª temporada, Agents of S.H.I.E.L.D. fez uma trama semelhante e de forma brilhante. #BeijosAIDA
Espero que a Marvel aprenda com os erros e volte a entregar histórias cativantes e envolventes que façam sentido no grande planejamento que é MCU. No entanto, por enquanto, “Invasão Secreta” parece ser mais um exemplo das dificuldades enfrentadas pelo estúdio em manter o mesmo nível de qualidade e coesão que encantou os espectadores por tantos anos.

 

Escrito por

Erick Sant Ana

Redator, negro, TDAH, amante da cultura geek e de uma boa coquinha gelada. Adoro histórias, sejam elas contadas através de livros, filmes, séries, HQs ou até mesmo fofocas. Sempre vi nos livros não apenas uma válvula de escape, mas também uma forma de diversão. Com o tempo, essa paixão se expandiu para o universo dos filmes e das séries. Após anos sem ter com quem compartilhar essas paixões, decidi falar sobre elas na internet.