Animais Fantásticos 3: Poderoso, sensível e cheio de nostalgia {Crítica}

O encontro da magia com a realidade sempre ocupa um espaço muito grande em nossos corações. Para além das varinhas mágicas, é muito bonito pensar que a magia existe para nós como o destino, que é sempre imprevisível e curioso; e como o amor, por exemplo, que parece um encantamento sem fim. Um mundo mágico dá sentido às nossas vidas e a todas as fantasias que vivem em nossa mente. E acredito eu que, a beleza não está em torná-las realidade, mas sim em entendê-las e dar o sentido que merecem. É aqui que entra Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore – um filme cheio de sensibilidade e com um poder gigantesco de traduzir o mundo, as pessoas e as nossas vidas. 

No terceiro capítulo da saga Animais Fantásticos, o professor Alvo Dumbledore (Jude Law) sabe que o poderoso mago das trevas Gerardo Grindelwald (Mads Mikkelsen) está se movimentando para assumir o controle do mundo mágico. Incapaz de detê-lo sozinho, ele pede ao magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) para liderar uma intrépida equipe de bruxos, bruxas e um corajoso padeiro trouxa em uma missão perigosa, em que eles encontram velhos e novos animais fantásticos e entram em conflito com a crescente legião de seguidores de Grindelwald. Mas com tantas ameaças, quanto tempo poderá Dumbledore permanecer à margem do embate?

Um ritmo digno de Dumbledore 

Não há nada mais Dumbledore na construção do longa Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore, a não ser, claro, o próprio Dumbledore. Repleto de mistérios, reviravoltas, eventos imprevisíveis, enigmas e segredos, o filme nos traz essas características tão únicas do maior bruxo que já existiu (Merlin, nada contra você, tá?), de forma sutil no roteiro e na construção da narrativa. Aliás, o roteiro é assinado por J. K. Rowling (a inominável) com colaboração de Steve Kloves, roteirista da maior parte das adaptações de Harry Potter. 

Animais Fantásticos 3: Poderoso, sensível e cheio de nostalgia. É definitivamente a ascensão da saga | Confira agora a Crítica no {Des}Construindo o Verbo Por Erick Sant Anna | Crítica por: Alison Henrique
Imagem: Reprodução/Warner Bros

Perceber as sutilezas no ritmo é importante para não destilar expectativas muito grandes sobre o novo filme da saga – e também sobre a saga em si, que caminha agora por um novo momento –, e também para não dizer que o ritmo é monótono, sonolento ou boring demais (ouviram, críticos?). O que eu quero dizer é que, embora tenhamos muitas perguntas que queremos respostas e entender os acontecimentos a fundo, precisamos lembrar que segredos são necessários para a construção da saga. Ninguém pode saber de tudo

Os novos rumos dão mais ou menos sentido à saga?

O que mais nota-se de diferenças no novo filme da saga, é a mudança de alguns holofotes na história que, ao meu ver, trazem uma abordagem talvez arriscada mas interessante para a história. O fato de não termos o desenvolvimento individual de alguns personagens, mostra que a saga quer dar novos sentidos à saga – e talvez desenvolvê-la como um produto de excelência aproximada da saga Harry Potter. Digo com tranquilidade que, temos aqui, um filme que despertou minha atenção e curiosidade do começo ao fim no quesito estrutura de narrativa. 

Qual o impacto do “novo” Grindelwald no longa?

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Imagem: Reprodução/Warner Bros

Com a demissão de Johnny Depp da saga, temos agora um Gerardo Grindelwald mais duro e cruel nas expressões, conferindo uma aura sombria e ditatorial interpretada por Mads Mikkelsen. É notável a mudança – que substitui a figura marcante e expressividade de Depp –, mas a atuação de Mikkelsen não deixa a desejar ao entregar um vilão que certamente desperta um certo ódio no telespectador, além do personagem ser ainda mais frio, cruel e enigmático. Aliás, no quesito jogo estúpico e jogo sujo, encontrei semelhanças de Grindelwald com o atual (por pouco tempo, esperamos) Presidente do Brasil. Quando assistirem, me digam o que acharam. 

Vicência Santos – ela é o poder 

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Imagem: Reprodução/Warner Bros

E falando em Brasil, temos ela, nosso orgulho brasileiro estreando na saga – Maria Fernanda Cândido. Mesmo com pouco tempo de tela (ela tem o povo!), Maria Fernanda entrega uma elegante e poderosa candidata à chefe suprema da Confederação Internacional. Apenas sua presença, com seu rosto marcante a personalidade política da personagem, nos deixa uma boa passagem da atriz pelo longa. Inclusive, vejo como muito simbólica sua participação na saga, com uma ligação muito forte com o cenário político do Brasil e a esperança que buscamos neste momento. Já tirou seu título de eleitor, jovem? Ainda dá tempo! Até 04 de maio. Corre!

Um excelente viés político – com referências importantes 

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Imagem: Reprodução/Warner Bros

Uma grande lição de como as democracias podem ser tomadas dentro das regras do jogo. A abordagem política em Animais Fantásticos é, deveras, fantástica. Além de referências ao período sombrio da Segunda Guerra Mundial, temos um jogo de poder que mostra de forma clara como acontecem os movimentos políticos dentro de um governo, desde a polarização política até golpes de estado para ganhar eleições através de um jogo sujo e manipulado. Não sei você, mas estou achando essa história parecida com a do Brasil. 

Já o viés cômico, muito formidável

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Imagem: Reprodução/Warner Bros

Se aventurar dando boas risadas é gostoso demais. Certo de que Newt (Eddie Redmayne) carrega sempre esse alívio cômico nas adaptações, digo que sua presença nos traz boas gargalhadas, mas quem brilha nessa parte é o trouxa mais amado do mundo atualmente – Jacob Kowalski, interpretado pelo ator Dan Fogler. Kowalski se destaca bastante no novo filme, trazendo uma certa leveza para o longa e quebrando o gelo em diversas situações. 

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Imagem: Reprodução/Warner Bros

Outro destaque bastante curioso e inesperado é a professora de Hogwarts, Lally Hicks (Jessica Williams), que faz uma dupla dinâmica com Kowalski no mesmo tom de humor. A personagem faz sua estreia na saga, mas quem sabe não seja promissora na história? Podem pensar o que quiserem, mas facilmente entregaria um papel de peso para enaltecer o carisma, eloquência e a personalidade de Lally no longa. De longe, uma das personagens que mais gostei.  

Fotografia e estética muito bem produzidas – e com muitos elementos familiares 

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Imagem: Reprodução/Warner Bros

O impacto visual em Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore é de encher os olhos. Além de criaturas mágicas muito bem trabalhadas, temos efeitos especiais cheios de impacto e cenas muito bem produzidas – mesmo percebendo na fotografia um ar um pouco sóbrio que, creio eu, faça referência ao período de tensão relacionado à Grindelwald – e também, em alguns momentos, à história e essência de alguns personagens. Além disso, temos ambientes e elementos cheios de nostalgia, trazendo um ar muito familiar para o longa. 

Temos aqui o maior ato da saga – e uma sina cheia de esperança

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Imagem: Reprodução/Warner Bros

Sempre digo que a saga Animais Fantásticos carrega uma expectativa muito grande do público, já que sabemos o futuro de boa parte da história e, quase sempre, o passado como é escrito nunca nos contenta. Mas quer uma dica? Permita-se sentir todas as emoções possíveis ao assistir o novo capítulo da saga. Diria que foi um movimento arriscadissimo da Warner produzir este filme, porém, foi um ato que deu certo para o momento da saga – que pede grandes acontecimentos. E o destino é a gente sempre se sentir em casa – se empolgando com a aventura, se apaixonando pelos personagens e se emocionando com o amor envolvido pela obra. Prepare-se para chorar no final.

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Confira abaixo o trailer oficial de Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore (2022), que estreia nos cinemas nesta quinta, 14 de abril de 2022. 

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