“Entre ser ou não ser, a gente prefere ser quem somos”. Esta é uma das frases ditas em coletiva de imprensa pelo grupo peruano Teatro La Plaza, que abriu o 31 Festival de Curitiba com a peça “HAMLET”, um clássico de Shakespeare que inspirou uma obra única, atemporal e que marcou muitos corações na abertura de um dos maiores festivais do brasil. 

HAMLET, do Teatro La Plaza: uma peça única, memorável e que vai muito além de shakespeare {Crítica} | Festival de Curitiba

Se é a peça é uma tragédia ou uma comédia, você que decide. Não é um formato comum, como estamos acostumados. Vai muito além de uma construção teatral que pode caber em nosso entendimento, começando por uma condição que pode ser palco de muito estigma na sociedade – e que a companhia chega para nos apresentar que a vida pulsa em suas veias em um grito por liberdade.

O elenco, pela primeira vez composto apenas por atores e atrizes com Síndrome de Down, trazem um poder muito grande para a peça, fazendo-nos imergir em uma história leve mas ao mesmo tempo complexa e até mesmo muito poética e descontraída. Enfim, esta foi uma experiência inexplicável e também inesquecível. 

HAMLET, do Teatro La Plaza: uma peça única, memorável e que vai muito além de shakespeare {Crítica} | Festival de Curitiba

Caminhar pela obra de HAMLET, uma peça complexa por suas questões complexas sobre a vida humana, suas escolhas, erros, medos, vulnerabilidades, enfim; é sempre algo que nos condena a uma crise existencial gigantesca sobre nossa vida e os caminhos que nos trouxeram até aqui (e vão nos levar para algum lugar que nem eu sei qual é, acredite). 

O que o grupo Teatro La Plaza faz com HAMLET, é colocar em evidência as tantas questões e dúvidas sobre a vida e suas complexidades sob uma ótica de quem vive e transforma a complexidade em um sopro de vida. É inspirador ver no palco oito artistas adolescentes e adultos neurodiversos trazerem uma visão importante sobre como podemos entender a vida sobre suas visões únicas. 

HAMLET, do Teatro La Plaza: uma peça única, memorável e que vai muito além de shakespeare {Crítica} | Festival de Curitiba

Ao assistir a peça, o entendimento que fica são os atos poderosos que atravessam o nosso peito. Em um primeiro ato, temos vários questionamentos que conectam o personagem Hamlet com o ator, o que foi realmente um momento hilário. 

No decorrer dos atos, temos as encenações das clássicas cenas da história de Hamlet que foram interpretados de modo único. O telão no centro do palco, além de nos trazer a tradução e legendas da peça para português (já que a peça é inteiramente feita em espanhol), é utilizado como um recurso que compõe perfeitamente o desenvolvimento do espetáculo, sendo utilizado para dar suporte para o elenco e isso tornou a experiência ainda mais vibrante e entusiasmante. 

HAMLET, do Teatro La Plaza: uma peça única, memorável e que vai muito além de shakespeare {Crítica} | Festival de Curitiba

Na atuação, temos um show de carisma, autenticidade e grandes personalidades dos atores que transbordam em várias cenas. O mais mágico e lindo foi ver como cada um é tão único, além do trabalho de direção de Chela de Ferrari ter sido impecável, achei deslumbrante a ideia dos atores atuarem de acordo com sua personalidade em diversas cenas. Tanto que a cena famosíssima de “Ser ou não ser” foi interpretada de um jeito diferente – onde o ator escolheu ser, escolheu sua liberdade. 

HAMLET, do Teatro La Plaza: uma peça única, memorável e que vai muito além de shakespeare {Crítica} | Festival de Curitiba

O final, foi renovador. Grande parte da plateia em cima do palco, comemorando e celebrando a vida em sua totalidade. Em coletiva de imprensa, o grupo afirma ser uma ideia dos próprios atores, de finalizar a peça com uma grande festa e chamar o público para participar disso. Deveras, um Gran Finale que deixou a abertura do festival de Curitiba marcado pela arte que compõe a vida, e pela vida que compõe a arte. Isso é teatro. Isso é o Festival de Curitiba.

Escrito por

Alison Henrique

Publicitário, Empresário, Dançarino, Cantor, Estudante de Filosofia e, claro, APAIXONADO por Cinema, Arte, Música e Livros. Crítico de Cinema aqui no {Des}Construindo o Verbo com muito sentimento, emoção e boas reflexões pra gente mergulhar nas obras do cinema contemporâneo. Seja Ficção, Drama, Romance, DC, Marvel, Ficção Científica, Bom, Ruim, Médio ou Péssimo. A gente sempre vai se encontrar por aqui pra discutir um pouco sobre tudo. Instagram: @alisonxhenrique.