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DUNA – a distopia que a gente precisava para voltar à realidade

Duna

O arrepio é imediato logo nos primeiros segundos do filme, que passeia pelas areias do planeta desértico Arrakis de forma majestosa, mística e envolvente. Duna apresenta-se com maestria o seu prefácio, mostrando ser como uma franquia grandiosa e arrebatadora de uma distopia que a gente não sabia que precisava até então. 

Já no início, Duna parece uma mistura de Mad Max, com Game Of Thrones e Star Wars – um mashup bastante inusitado, mas qualquer amante dessas obras icônicas irá notar as semelhanças, até porque para quem não sabe essas histórias foram inspiradas em Duna. A história complexa gira em torno de uma especiaria que é motivo de disputa de poder, guerras, cobiça e uma trama envolvente com personagens intensos.

 

Quem controla a especiaria, controla o universo

A famosa especiaria possui um misticismo encantador, que nos deixa com vontade de entrar nessa disputa pelo poder de possuí-la. Além de dar um tom azul escuro aos olhos do povo de Arrakis (juro que parece aquelas lentes de contato baratas), a especiaria permite estender a vida humana, dar poderes sobrenaturais e viajar no espaço com segurança – quase 1001 utilidades. 

 

Família, trono, herança, herdeiro e dinheiro 

Foto: Reprodução / Warner Bros

Tudo o que a gente gosta em uma boa novela das 9h de um jeito distópico, complexo e cheio de poderes sobrenaturais – além de um elenco pesadíssimo. A gente começa pela figura nobre do Duque Leto Atreides (Oscar Isaac), que lidera a Casa Atreides de forma impecável e imponente, protagonizando cenas onde seu exército mostra poder e presença gritando “ATREIDES” em uníssono, acho que querendo dizer algo como: “quem é que manda aqui, hein?”. Achei conceito. 

É aqui que chegamos no filho herdeiro do Duque, o jovem Paul Atreides (Timothée Chalamet), o clássico príncipe que treina tanto suas habilidades de luta e liderança, quanto suas habilidades paranormais herdadas de sua mãe, Lady Jessica (Rebecca Ferguson), que também é uma Bene Gesserit – basicamente uma seita religiosa que acredita, mas também dúvida (eu com minhas inseguranças na vida) que Paul seja o Escolhido com um destino grandioso em Arrakis. 

Essa família cheia de poder e influência, faz as mudanças e embarca para o planeta Arrakis após uma convocação imperial – digna de uma cena que serve figurinos impecáveis que esbanjam riqueza e poder, além de um gostinho de quero mais sobre os personagens e alta relevância do império –, que dá a missão ao Duque Leto Atreides de comandar as riquezas e o poder de Arrakis. 

 

Leia também: Curiosidades sobre DUNA

 

Não é só uma areia. É uma areia com especiarias.

A perfeição das dunas de areia, o clima escaldante, um povo devoto a uma profecia, guerreiros nativos e invencíveis (os Fremen), vermes gigantes do deserto e diversos outros elementos, fazem de Arrakis algo lindo e grandioso na história, além de encantador e muito bem trabalhado no roteiro, fotografia, figurinos e apresentação dos personagens. 

Sob as paisagens desérticas, surge Chani (Zendaya), uma nativa de Arrakis que inicialmente aparece nas visões de Paul, mas que mais tarde ocupa um lugar importante na trama. O pano de fundo? Claro, a fabulosa areia com especiarias que coloca Paul em uma jornada de descobertas, sobrevivência e autoconhecimento.

 

Serviram? 

Rebeca Ferguson, Zendaya, Javier Bardem e Timothée Chalamet em cena de Duna. Foto: Reprodução / Warner Bros

É impossível não entrar em êxtase com o elenco pesadíssimo de Duna. O diretor, ninguém menos que Denis Villeneuve (A Chegada2015; Blade Runner 20492017), reuniu nomes de impacto para a obra, alguns com personagens de peso e brilhantemente interpretados; já outros, não tão bem explorados, servindo mais como suporte à história. 

Mas independente do nosso amor pela Fergusson, Oscar Isaac,  Jason Momoa, Dave Bautista (nosso querido Drax), entre outros; o que mais aumenta a expectativa de Duna são os protagonistas cheios de hype e aclamados pelo público – normalmente um é mais amado e o outro nem tanto assim (não disse qual). 

Fica claro que Chalamet desenvolve um personagem interessante, inteligente, decidido (você tá querendo me dizer algo, Chalamet?), e que reúne rápido as peças do quebra-cabeça complexo da sua mente com Arrakis, além de lutar muito bem – o empoderamento dos magrinhos vem aí? 

Já Zendaya, a dona da HBO, do Homem Aranha e agora de Duna (provavelmente); apresenta uma personagem com muitos mistérios e uma grande incógnita para o desenrolar do roteiro. Afinal, Chani é o destino de Paul? (como sempre, as mulheres tendo que fazer tudo). Ainda não sabemos. Mas o pouco que tivemos de Zendaya, já percebemos quem é o futuro promissor da franquia. 

 

A trilha sonora é perfeição pura

Alô? Hans Zimmer? Só queria dizer que você é perfeito. Simplesmente, o compositor responsável pela trilha sonora dos filmes Interstellar (2014), Inception (2010), O Rei Leão (1994), Batman (2008 e 2012), Mulher-Maravilha 1984 (2020) e muitas outras obras; dá vida à uma trilha simplesmente arrebatadora de Duna em praticamente todas as cenas. 

A tensão, sutileza, força, intensidade e poder de Hans no comando de cada cena, faz a experiência valer muito a pena, principalmente pelo fato de que me arrepiei em vários momentos. Cinema é bom mas cinema com qualidade sonora, é indescritível a sensação de vivenciar isso. 

 

Duna é o puro suco do cinema

Fonte: Reprodução / Warner Bros

É cinema puro na sua melhor forma. Tudo o que a gente precisa em uma sala de cinema. Inclusive, Villeneuve diz que Duna foi feito para a tela do Cinema. Duvidei? Jamais. Só por este detalhe, fica visível que será uma obra que despertará paixões e será o queridinho dos cinemas. 

Duna possui um caminho difícil pela frente – conquistar públicos extremamente exigentes com roteiro, gráficos, desenvolvimento, produção e o principal, uma adaptação quase fiel à obra original – a série de livros de Frank Herbert, na qual o filme foi inspirado. 

Pode ser que a obra enfrente diversas críticas, desde seu roteiro, que se desenvolve sem pressa e se aprofundando em acontecimentos relevantes – até a atuação e principalmente desenvolvimento dos personagens, já que muitos não tiveram cenas de peso para a trama.

Mesmo com pontas soltas, que podem ser justamente o começo de uma franquia promissora e grandiosa, Duna entrega a emoção de sentir o cinema e se envolver com os personagens. A gente experimenta cada cena e quer mais. Se for este o seu sentimento, você viveu esta obra do jeito certo. 

Confira o trailer oficial de Duna, disponível abaixo:

 

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