Lançado em meio ao caos da pandemia, Destruição Final acabou se tornando uma daquelas surpresas improváveis. Mesmo sem ser exatamente um grande filme, ele encontrou um diferencial raro dentro do subgênero de catástrofe: menos foco em salvar o mundo e mais atenção no impacto emocional de sobreviver a ele. A jornada da família Garrity até o bunker na Groenlândia tinha seus momentos bobos e exagerados, mas também trazia um certo peso humano que ajudava a sustentar a experiência. Até Gerard Butler, normalmente escalado para variações do mesmo herói resiliente, parecia mais próximo de um homem comum tentando não desmoronar junto com o planeta.

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Uma continuação que ninguém pediu, mas que veio assim mesmo

Destruição Final 2 nunca pareceu exatamente necessário. O primeiro filme encerrava sua história de forma relativamente fechada, com o apocalipse já consumado e a humanidade reduzida a fragmentos. Ainda assim, o sucesso do original, especialmente considerando o contexto de lançamento, praticamente garantiu uma continuação. Se de um lado temos o problema de que a sequência escolhe seguir pelo caminho mais previsível possível, do outro temos o foco em algo ainda não tão explorado nessas histórias que é a busca pela terra prometida, a salvação por assim dizer.

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Road trip no fim do mundo

A trama retoma cinco anos depois, com John, Allison e o agora adolescente Nathan ainda vivendo em bunkers na Groenlândia, presos em uma rotina claustrofóbica enquanto esperam o mundo se tornar habitável novamente. Quando terremotos destroem o complexo, o grupo parte em direção a uma cratera no sul da França que supostamente oferece ar respirável e alguma chance de recomeço. A partir daí, o filme vira uma espécie de road trip apocalíptica europeia, passando por cidades devastadas, soldados paranoicos, pontes improvisadas e encontros rápidos com personagens que mal são apresentados antes de desaparecerem da história.

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Déjà vu e drama raso

O problema é que quase tudo aqui parece reciclado. Há ecos claros de Filhos da Esperança, A Estrada, The Walking Dead e muitos outros, mas sem a força dramática ou o frescor dessas referências. O drama familiar, que ajudava a dar algum peso ao primeiro filme, praticamente desaparece transformando os Garrity em heróis genéricos atravessando cenários de destruição. As tentativas de injetar emoção soam forçadas, enquanto o tom excessivamente sério acaba escorregando para um sentimentalismo que mais atrapalha do que ajuda.

Visualmente, o filme até tenta ampliar o escopo, mas as limitações de orçamento ficam evidentes, com efeitos irregulares e cenas de ação que alternam entre o tenso e o involuntariamente ridículo. No fim das contas, Destruição Final 2 funciona como uma continuação no piloto automático, mais preocupada em repetir fórmulas do que em desenvolver o que o original tinha de mais interessante. Não é o pior filme da carreira de Gerard Butler, mas está longe de ser o melhor. Para quem gostou do primeiro, pode até matar a curiosidade. Para todo o resto, é fácil seguir a vida sem sentir que perdeu algo importante.

Assista ao trailer oficial abaixo:

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Escrito por

Niv De Castro

Sagitariano, comunicólogo e professor de Inglês. 85% do tempo com fones de ouvido, não passa um dia sem ouvir músicas e descobrir novas séries e filmes para assistir.