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‘Noite Passada em Soho’ é o sedutor e envolvente terror psicológico de Edgar Wright {Crítica}

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Uma narrativa muito conhecida em filmes que envolvem jovens iniciando a vida adulta é a de se sentir fora da realidade ou da sua própria época. Muitos destes elementos criam uma história que faz com que se tenha empatia pelo desregulado e fora de lugar. Edgar Wright traz esses elementos para a jovem Eloise, ou Ellie, na trama da sua nova obra cinematográfica, o terror psicológico ‘Noite Passada em Soho’. Com um visual muito sedutor e envolvente, o diretor cria uma atmosfera ao mesmo tempo fascinante e angustiante. 

O filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (18/11) e tem no seu elenco Thomasin McKenzie, Anya Taylor-Joy e Matt Smith. Os três pontos principais na trama e que cumprem o papel de envolver o espectador com suas atuações impecáveis, muitas vezes inquietantes pelo teor de suspense que envolve toda a história contada. 

Com muitos elementos históricos, mas ainda assim pontuando questões muito importantes e amplamente discutidas nos dias atuais, Edgar Wright consegue fazer uma mistura esteticamente linda e muito envolvente. 

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A jovem busca de um sonho

Eloise Turner é aspirante a estilista e uma verdadeira amante dos anos 1960. As coisas começam a mudar para a garota quando entra em uma universidade em Londres para estudar moda e precisa deixar sua vó no interior. Rapidamente ela se vê envolvida na correria da cidade grande. A solidão e também as amizades tóxicas a fazem conhecer a Sra. Collings (Diana Rigg) e então acaba alugando um quartinho na casa da simpática senhora.

Somos apresentados bem no início que Eloise possui um certo dom, mas só podemos entender a extensão dele após o momento que finalmente se instala em sua nova casa e passa a se transportar mentalmente para os anos 1960 que tanto ama, mas o mais interessante é que acaba criando uma espécie de conexão com Sandie (Anya Taylor-Joy) que viveu nesta época. Logo a garota se vê apaixonada e viciada nessa fuga da realidade. Se de um lado temos Ellie e o seu sonho de trabalhar com moda, do outro temos Sandie e o seu sonho de ser uma estrela. 

 

Os dois lados  

Quanto mais Ellie vive a vida de Sandie no passado vai percebendo que algo de muito errado aconteceu com a moça e passa então a tentar entender o que houve e acaba se envolvendo em um verdadeiro terror psicológico de proporções confusas e perturbadoras. 

Anya Taylor-Joy rouba diversas cenas com toda a sua sensualidade e elegância, mas Thomasin McKenzie é o verdadeiro tesouro do filme, entregando uma atuação surpreendentemente cativante e elétrica. A combinação das duas atrizes cria uma harmonia deliciosa entre o ingênuo, puro e inocente com o sexy, visceral e perigoso. 

Todas as transições e conexões de cena em que as duas aparecem trazem uma verdadeira lição de edição e jogo de câmeras e, de repente, nos vemos cativados por esses dois mundos como se fossem duas realidades alternativas que se conversam e por vezes quase se tocam de fato. 

 

A mistura do incrível e do previsível 

É simplesmente impossível falar do filme sem mencionar a incrível trilha sonora e até mesmo a interpretação da canção “Downtown”, de Petula Clark, que na voz de Taylor-Joy realmente se tornou algo sublime, além de revelar que a atriz também arrasa em outro departamento. 

Os elementos estéticos impecáveis somados à trilha sonora criam uma atmosfera que possibilita ser transportado junto com Eloise para a época. Mas mesmo criando uma imagem linda, ela vem acompanhada de toda uma crítica ao comportamento predatório que as mulheres sofreram e ainda sofrem na sociedade. Uma alfinetada muito bem pensada, mas que acaba tendo um desfecho um tanto controverso tendo como base esta mesma narrativa. A sensação que o fim do filme causa é a de que somos tocados em muitos pontos pertinentes para no final termos uma conclusão agridoce, um tanto previsível. 

Desse modo, ‘Noite Passada em Soho’ conta uma história deslumbrante que traz os mais diversos elementos combinados e levanta questões pertinentes, mas poderia ter costurado um pouquinho mais estas questões finais e, até mesmo, mostrar um pouco mais de cenas intensas tão comuns ao gênero cinematográfico. De uma forma geral é um ótimo filme para apresentar este mergulho de Edgar Wright no terror psicológico. 

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Confira abaixo o trailer oficial de ‘Noite Passada em Soho’:

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