Rhapsody

O hype para a estreia de ‘Bohemian Rhapsody’ era preocupante, pois quando investem tanto em marketing e criam tanto conteúdo de divulgação, a expectativa de seus espectadores acompanha toda essa comunicação e não há nada mais perigoso no mundo do cinema do que quebrar a confiança de seu público, não entregando o que foi proposto com todas as propagandas.

É óbvio que, felizmente, o longa-metragem ganhou o coração de muitos que foram aos cinemas prestigiá-lo e da crítica também, ainda que as histórias da banda Queen e de seu cantor, conhecido em todos os lugares do mundo, Freddie Mercury, tenham sido muito bem editadas para mostrar as partes mais “apresentáveis” nas telonas.

A produção foca no período da formação da banda até a apresentação que fizeram no Live Aid, em 1985, contemplando 15 anos da vida de Freddie (interpretado pelo ótimo ator Rami Malek, mas que não é LGBT+). O foco é grande no cantor, pois foi ele que rendeu mais polêmicas e fama, porém, podemos ver mais do relacionamento com os outros integrantes, o baterista Roger Taylor (Ben Hardy), o guitarrista Brian May (Gwilym Lee) e o baixista John Deacon (Joseph Mazzello), além da sua companheira/confidente/amiga Mary Austin (Lucy Boynton).

O filme é muito dinâmico, não dando brechas para momentos cansativos, e é repleto das principais e icônicas músicas da banda, o que faz cada pessoa na sala de cinema não ter tempo para se distrair. É tudo extremamente bem pensado, pois consegue atrair os fãs (que conhecem minuciosamente cada canção e cada parte da vida dos integrantes) e quem apenas buscava conhecer mais sobre esses rockeiros britânicos que fizeram e ainda fazem sucesso.

A produção, que foi indicada a 5 Oscars (incluindo Melhor Filme e Melhor Ator), é caprichada principalmente quando o assunto é edição de som e mixagem de som. São diversos detalhes captados nos sets de filmagem e também todo o trabalho de pós que é adicionado que dá muito mais credibilidade ao que é apresentado nos 134 minutos de película.

Como a maior parte dos longas, esse também tem pontos que poderiam ser explorados com mais cuidado, como o HIV/AIDS, por exemplo. Mercury morreu por conta da AIDS e o assunto é tratado como “a doença”. Entendo que na época ainda era algo novo e que todos desconheciam, porém, por ser um filme tão aguardado, era uma forma de dar visibilidade para a população positiva e abrir mais espaços para falar sobre o tema.

Ainda existe um estigma muito grande sobre quem é soropositivo e LGBT+ e toda informação bem apresentada pode servir de grande ajuda para quebrar preconceitos e diminuir a discriminação. O fato do filme ter um personagem LGBT+ com HIV já é um start para abrir diálogos? Sim, mas seria interessante ver a produção dando mais destaque para essa parte da vida do cantor, focando na questão de ser positivo em uma época tão marcada pelo número de pessoas que morreram por causa da AIDS.

 

Curiosidades

O diretor Bryan Singer, que começou a direção do longa, foi demitido após acusações de estupro e abuso serem colocadas em destaque por vítimas que tiveram coragem para denunciá-lo. Quem ficou no lugar foi o diretor Dexter Fletcher. O próprio Rami Malek se pronunciou sobre o diretor acusado e disse que a relação deles “não era agradável” e que todos que passaram por situações de abuso “merecem ser ouvidos”.

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