Romeu e Julieta

Desde que o mundo é mundo a humanidade sempre teve como um de seus “pilares”(se é que podemos chamar assim) as lendas, mitos, superstições e crenças. Desde a mitologia grega, que contava as histórias de deuses e heróis, as diversas religiões espalhadas atualmente pelo mundo, ou até mesmo o nosso folclore nacional com o saci, a mula-sem-cabeça e afins, todas elas, independente do que você acredita, ajudaram e ajudam a contar a história da humanidade.

Não é de hoje que autores usam esses mitos como bases de suas próprias histórias e dão novas caras a eles, Rick Riordan, Monteiro Lobato, Neil Gaiman, são só alguns exemplos que de escritores que usaram muito bem essas crenças presentes no imaginário popular como enredo para seus livros. E é exatamente isso que o jovem autor, Leandro Zapata, faz em “A Maldição de Romeu e Julieta”.

Aaron e Ashley, são melhores amigos desde que se “entendem por gente”, mas após a morte do pai do garoto, quando ele tinha apenas seis anos, as coisas começaram a ficar diferentes. Ashley percebe seu amigo está um tanto diferente, e após descobrir algo terrível, a garota tem a sua memória apagada por Aaron, para a sua própria proteção.

Acontece que Aaron é um Van Helsing e todo aquele que carrega o nome Van Helsing está destinado a fazer coisas grandiosas. Aaron, assim como a sua família, é um artista, ou seja, alguém que pode dominar as artes místicas e anos após ter se afastado da sua melhor amiga, acaba a reencontrando e tendo que salvar a sua vida outra vez, quando descobre que a antiga organização, Ordem dos Cavaleiros da Rosa Cruz,quer por alguma razão matar a garota. Enquanto lida com esses e outros inimigos que aparecem em seu caminho, Aaron acaba descobrindo alguns mistérios ao seu redor e sobre a si mesmo.

Romeu e Julieta

Como um bom livro de fantasia urbana, “A Maldição de Romeu e Julieta” consegue unir diversos elementos fantásticos, alguns deles retirados de outras obras famosas como o nome Van Helsing, que saiu das páginas de Drácula de Bram Stocker, como do próprio cristianismo, de forma totalmente coerente ao mundo real.

A narrativa em terceira pessoa, não segue uma linearidade e muitas vezes a história dá uma pausada, para nos mostrar o passado de algum personagem, seja ele herói ou vilão, para que assim possamos entender as suas motivações. Além disso, também “passeamos” por diversos núcleos, para sabermos o que está acontecendo em outro local da história, um estilo de narrativa que me lembrou muito o dos livros do Dan Brown, autor de “O Código da Vinci”

E assim como Dan Brown, Leandro também tem um escrita bastante descritiva, mas nada exagerada, para que possamos visualizar melhor as situações. Algumas vezes esse modo de escrever pode atrapalhar a dinâmica da leitura, principalmente em cenas de ação, pois em meio as lutas, alguns conceitos precisam ser explicados de uma forma bem didática e embora haja essa “quebra”, acho que se eles não fossem explicados, causaria confusão no leitor, então acaba sendo mais uma qualidade do que um defeito na história.

Apesar da parte fantástica ser muito bem explorada o livro peca um pouco na parte “real”, a começar pelo nome dos personagens. A história se passa em São Paulo e quase todos os personagens têm nomes estrangeiros, Ashley Ginnini, Samatha Barborow, Angel Heckel são alguns exemplo e embora, seja dito que alguns deles têm famílias estrangeiras ( e outros não, como um motorista que chama-se Steve), tirando o protagonista que é um Van Helsing, o fato deles terem vindo de outros países não acrescentam em nada  a história. Pode parecer um detalhe bobo, mas para mim foi algo que me fez demorar para “comprar a história” e acreditar nesse universo, já que sou de São Paulo e nunca conheci uma Ashley, por exemplo.

Outro problema que senti foi na construção do romance. Existe uma determinada personagem, que tem um passado extremamente bem explorado ( o melhor da livro na minha opinião”),onde você entende suas motivações e personalidade, mas que em determinado momento da história é salva pelo seu inimigo, em questão de horas se apaixona por ele, trai seus aliados e dois dias depois está namorando e morando junto com a pessoa que até então ela tinha que matar. Isso tudo, sem titubear ou ter qualquer tipo de conflito interno em momento algum, como se fosse a coisa mais normal do mundo, o que acabou jogando todo o desenvolvimento que tinha sido construído quando ela foi apresentada pelo ralo.

Mas não se engane, eu gostei muito de “A Maldição de Romeu e Julieta”, é uma história que contém praticamente todos os elementos que eu gosto em uma fantasia. Leandro Zapata entregou um livro muito bem escrito, com uma mitologia coerente, personagens bem trabalhados e uma história envolvente. E embora tenha sim alguns problemas, não perde em nada para muitos autores estrangeiros de fantasia urbana e se com seus 20 anos escreveu uma história assim, não duvido que acabe se tornando um grande autor de fantasia nacional.

Saiba mais sobre o autor

Veja a book trailer do livro:

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