Critica: Magnólia

ilustração: Justin Reed
O primeiro tópico do {Des}afio Cinematográfico  é “Um filme com mais de 3 horas” e
até então iria assistir a “A Lista de Schindler”, pois era o único
filme com mais de 3 horas que eu me lembrava. Eis que surge uma alma divina no
twitter e me indica Magnólia. Resolvi ir atrás do tal filme, sem pesquisar nada
a respeito dele e acabei me deparando com uma obra-prima sem igual. Esse meus
caros, provavelmente será uma daquelas resenhas “sem pé, nem cabeça”
e já peço desculpas por isso, pois Magnólia é um longa complicadíssimo de se
destrinchar em um texto, por que ele é repleto de simbologias e interpretações,
é um daqueles filmes que trará uma experiência diferente para cada
.
Magnólia nós mostrará um dia na vida de nove pessoas,
que terão suas histórias interligadas em vários momentos apenas por pequenos
detalhes, todas elas com seus próprios problemas e dramas pessoais, mas que se resumem em
enfrentar seus medos e encarar seus fantasmas do passado. O interessante aqui é
que embora tenhamos essa enorme quantidade de personagens e que mesmo uns tendo
mais tempo em tela do que os outros, todos eles têm diversas camadas que são
trabalhadas e desenvolvidas ao longo das três horas. Basicamente o filme é
dividido em duas partes, uma onde acontece a construção dos personagens e a
outra metade desconstruindo todos eles.


Como estamos falando de uma longa que, embora linear não
possui um fio condutor ou objetivo claro para o desenvolvimento da história,
era de se esperar que a trama fosse monótona e cansativa, já que estamos
falando de um filme com mais de três horas de duração, mas se tem adjetivos que
não podem ser usados para descrever Magnólia, com certeza eles são
“monótono e cansativo”. Pois, a formula utilizada pelo diretor em
construir sua narrativa é: começar uma história, se manter apenas alguns minutos
nela, interrompe-la de forma abrupta e retornar com ela bem mais na frente, o
que acaba quebrando qualquer vestígio de tédio ao assisti-lo. Porém, para quem
não está acostumado, essas quebras na narrativa podem causar um certo
estranhamento principalmente no início do filme, já que as apresentações dos
personagens e suas respectivas histórias são feitas de uma forma muito
dinâmica, um tanto quanto violenta. Isso somado aos recursos de câmera, como
zooms, planos sequencias e a trilha sonora maravilhosa acabam tornando o filme
muito mais empolgante ou confuso, depende do seu ponto de vista.
 

Por isso fica muito claro para mim que embora seja dinâmico
e empolgante, Magnólia é um filme “difícil” de se assistir, como
disse, ele é repleto de interpretações e camadas o que acaba exigindo um pouco
mais de quem o assiste, tanto que mesmo assistindo nove vezes, na decima com
certeza você ainda encontrará algo que não tinha percebido antes, para mim isso
é um ponto extremamente positivo em uma história, independente da maneira que
ela é contada, mas provavelmente há pessoas que não curtem muito isso. Magnólia,
é um desses filmes que está na categoria “ame-o ou odeie-o”

.
Um dos maiores méritos de Paul Thomas Anderson é que mesmo
tendo esses personagens tão diferentes um dos outros, com problemas tão diferentes e essa
narrativa um tanto “violenta”, como disse antes, consegue nos trazer
uma história extremamente coesa, onde conseguimos nos identificar e criar
“vínculos” com essas pessoas e os dramas vividos por elas. Imaginem o
quão foi minha surpresa ao descobrir que antes de Magnólia o diretor só tinha
tomado a frente de dois outros filmes.

Esse definitivamente foi um dos posts mais difíceis que eu já escrevi, pois como disse Magnólia é filme grandioso demais para ser destrinchado em um texto, isso por que eu nem mencionei o final surpreendente onde, pelo menos na minha interpretação, ocorre uma especie de catarse, não dos personagens, mas da própria narrativa em si, o que só torna a historia mais fenomenal ainda. Com certeza esse será um dos filmes que assistirei infinitas vezes e definitivamente ele entrou na lista de filmes favoritos da vida.
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