Quando foi anunciada pelo canal
SyFy, todas as ações de propaganda para “The Magicians” vendiam a
série como “Harry Potter para adultos” e eu como bom fã de Harry
Potter não poderia deixar de conferir se a série fazia jus a forma como era
vendida.
A série é baseada na trilogia
“The Magicians” (Ou Os Magos) de Lev Grossman e vai nos contar a história
de Quentin Coldwater, um cara um tanto esquisito que não se adaptou muito bem
ao “mundo dos adultos”. Desde crianças Quentin e sua Melhor amiga Julia são extremamente fãs da saga de livros de fantasia, “Fillory e Além”
bastante parecida com “As Crônicas de Nárnia”, mas enquanto Julia foi
deixando cada vez mais de lado esse universo, já que tem “coisas de
adulto” para se preocupar, Quentin foi cada vez mais ficando obcecado pela
história. Até que no dia da sua entrevista para Yale os dois acabam sendo
levados a participar do processo seletivo para integrar a Academia Brakebills,
uma Universidade de Magos, Julia não passa no exame e acaba tendo que ter sua memória
apagada, acontece que ela acaba arrumando um jeito de lembrar de tudo e promete
a si mesmo que vai aprender magia de qualquer maneira. Assim como toda boa história
de fantasia, existe um vilão que odeia Quentin por algum motivo que
aparentemente todo corpo docente de Brakebills já sabe.
O tal do vilão
“The Magicians” é uma
série que brinca bastante com as grandes sagas de fantasia, ela traz diversas
referencias bem descaradamente de sagas como: “Senhor dos Anéis”,
“Harry Potter” e principalmente de “As Crônicas de Nárnia”.
Mas isso não quer dizer que a trama não é original, aqui
há temas e diversas reviravoltas bem sombrios que não estamos acostumados a ver
nesse tipo de história.
A primeira metade dessa temporada
de “The Magicians” tem um ritmo bastante lento, mas assim como
geralmente acontece no primeiro livro da maioria das histórias de fantasia,
serve para nos apresentar os personagens, a mitologia e todo o mundo na qual a
trama se passa e ela consegue com bastante exito.
Quentin e Julia são protagonistas
nada convencionais, enquanto foi bem difícil gostar de Quentin e ver ele como o herói
da história, já que ele é um personagem completamente egoísta, infantil,
covarde e que a cada episódio faz uma burrada diferente. Julia já é bem mais
determinada, ela não mede esforços para conseguir o que quer e acaba indo por
caminhos cada vez mais sombrios e que trazem consequências gravíssimas a ela, em
muitos aspectos Julia nos lembra bastante uma viciada em drogas.
É bem interessante a forma com
que a série trabalha visualmente esses dois pontos de vista. Quando estamos
acompanhando Quentin em Brakebills, a direção de arte adota tons mais vivos, tudo é bastante colorido e ensolarado. Já quando passamos para o ponto de vista da Julia
tudo é bem escuro, puxado para o cinza, sem vida, confirmando os caminhos
sombrios na qual ela está seguindo.
Reparem nas cores
Os demais personagens a princípios
parecem não ter nenhum aprofundamento, a não ser serem extremamente caricatos.
Temos Elliot e Margo, as duas partes da bitch fanfarrona de todas as séries,
Alice a Nerd que não sabe lidar com emoções e Penny o rebelde sem causa. Porém
no decorrer dos episódios todos acabam ganhando cada vez mais camadas e acabam quebrando seus estereótipos, tornando-se personagens cada vez mais
complexos. Você vai acabar os amando e odiando com a mesma intensidade. Bom, exceto
a Margo que é maravilhosa o tempo todo.

Se você é fã de histórias de fantasia,
tenho certeza que “The Magicians” será um deleite de se acompanhar. Embora tenha
algumas falhas como a atuação mediana de boa parte do elenco e uma direção que
não é lá essas coisas. Ela tem uma trama que brinca com os clichês do gênero de
uma forma extremamente inteligente, com ótimas sacadas e que segue caminhos
bastantes surpreendentes e que com certeza se bem trabalhada trará ótimos frutos
ao canal.

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