Olá estranhos da internet! Bem, são exatamente três horas da manhã, faz dez minutos que acabei de ler esse livro e eu estava naquela dúvida se esperava até amanhã para escrever uma resenha mais parcial possível, ou se abria a página de postagem e começava a escrever uma resenha “na raça”, como vocês podem perceber, a segunda opção foi a escolhida. Vamos só ver o que vai sair.

 
 
Em “Todo dia” conhecemos A, que tinha tudo pra ser um adolescente normal, se não fosse o fato dele não ser um garoto, mas também não ser uma garota. A tem uma certa “peculiaridade” na sua vida, todos os dias ele acorda em um corpo de uma pessoa diferente, pode ser um menino, uma menina, gordo, magro, feio, bonito, não importa, a única certeza que ele tem é que essa pessoa vai ter 16 anos, que é a sua idade. A sempre teve que viver com isso, com o tempo parou de tentar entender o porquê disso acontecer e passou a simplesmente aceitar que sua vida sempre seria assim. Pra aprender a conviver com isso ele criou duas regras: “não se apegar” e “jamais interferir”. O problema é que ele quebra essas duas regras ao acordar no corpo de Justin.
Justin é aquele cara “descolado” que não se importa com ninguém a não ser ele mesmo, e ele meio que sofre daquele complexo de achar que o mundo gira ao seu redor. Pois bem, quando A acorda no corpo de Justin a ideia era seguir conforme sempre seguiu, até que ele conhece Rhiannon, a namorada de Justin, A simplesmente se encanta pela bondade da garota, e por ela é claro. Para conseguir “viver a vida” dos donos do corpo onde está hospedado, A tem a habilidade de acessar as memorias dos seus “anfitriões” e com isso ele percebeu que Justin não trata a namorada da maneira que ela merece, por isso ele decide dar a garota um dia inesquecível, algo que Justin nunca faria. E é assim que A, talvez pela primeira vez sinta a vontade de não partir, só que isso não é uma opção pra ele, no dia seguinte ele acordará em um corpo diferente e Rhiannon não será mais sua namorada. Mas como é de se imaginar, A, não aceita isso e todos os dias (ou quase todos) ele arranja um jeito de conseguir ver sua amada, mesmo em corpos diferentes. Com o tempo Rhiannon descobre a verdade sobre A e aceita essa peculiaridade na vida dele, pois afinal, estão apaixonados. Mas até que ponto é certo interferir na vida dessas pessoas?

Confesso que eu não dava nada por esse livro, achei a premissa muito original, mas acreditava que focar esse tema super original em um romance não fosse o caminho certo, achava que fazer uma fantasia sobrenatural ficaria muito mais legal, e talvez até ficasse, mas com certeza não teria a mesma grandiosidade que ele tem se não fosse um Young Adult.
Já devo ter dito diversas vezes que não sou nenhum pouco fã de romances e talvez seja por isso que eu tenha ficado com essa impressão de que um romance não fosse o melhor pra essa premissa. E o fato de eu acreditar que ninguém consegue amar outra pessoa a conhecendo só a um dia só aumentava esse meu pé atras. Mas ai quando conheço A, percebo que ele pode quebrar essa “regra” da minha cabeça, ele nunca vai ter mais que um dia para desenvolver sentimentos por outra pessoa, mesmo por que essa é uma das suas regras, “não se apegue”, talvez pelo fato dele estar cansando de viver dessa forma, ele subconscientemente tenha se apegado a primeira pessoa realmente boa que apareceu na sua vida. Muitas vezes no decorrer da leitura eu pensava em como A estava sendo egoísta em sequestrar a vida dessas pessoas e da Rhiannon, só pra atender um “capricho”, mas ai eu pensava direito e percebia que A na verdade é a personificação da solidão, ele nunca teve uma chance de viver pra ele, nunca teve algo em que se firmar, nunca pode se dar ao “capricho” de pensar no futuro, ou simplesmente conversar sobre seus medos e anseios com alguém então, talvez, ele não esteja ao todo errado sendo egoísta, o egoismo nesse caso é aceitável.


Como vocês já devem ter percebido, A é um personagem atípico, não pelo fato dele ter essa peculiaridade de acordar todo dia no corpo de uma pessoa diferente, mas sim pelo fato de que como ele não teve como se firmar em uma casa , ele não sofreu a influencias que sofremos seja pela família, amigos ou vizinhança e por isso não tem preconceitos, ou enxerga as pessoas por rótulos, pra ele as diferenças não são importantes, como ele é uma especie de hospede que consegue acessar as memorias do corpo da pessoa onde está “habitando” , ele acaba enxergando as pessoas por dentro, mas com uma perspectiva de fora, é um pouco confuso de explicar, mas fica muito mais claro quando se lê o livro. A também não se limita a gêneros, as vezes é branco, as vezes negro, as vezes gay, as vezes hétero, vamos dizer que ele é puramente “essência”.

 

 

“Sou um andarilho e, por mais solitário que isso possa ser, também é uma tremenda libertação. Nunca vou me definir sob os mesmos critérios das outras pessoas. Nunca vou sentir a pressão dos amigos ou o fardo das expectativas dos pais. Posso considerar todo mundo parte de um todo, e me concentrar no todo, não nas partes. Aprendi a observar, muito melhor do que a maioria das pessoas faz. O passado não me ofusca, nem o futuro me motiva. Concentro-me no presente, porque é nele que estou destinado a viver (pág.:12)

 
Embora a grande “base” desse livro seja o amor entre A e Rhiannon, o que mais me chamou atenção foram os backgrounds, que no caso desse livro as vidas na qual A passa. O autor mostra uma empatia tremenda quando vai descrever como é a vida dessas pessoas, em especial de duas pessoas, uma garota com depressão e outra transgênero, ele consegue descrever tão bem a situação dessas pessoas, que acaba ficando tão mais fácil de entender como pessoas com essas condições vivem, fica tudo muito mais “palpável”
Eu tive alguns sentimentos conflitantes sobre o final do livro, pois, no decorrer da história ele vai nos mostrando que talvez tenha um modo de A continuar em um corpo e que há muito mais por trás desse “poder” do que ele imagina, o problema é que o livro termina sem fechar essas pontas soltas e nos faz querer saber mais sobre a jornada de A em entender ele mesmo. Mesmo assim parando pra analisar, o livro terminou em um momento ideal, se tivesse mais alguns capítulos, ou continuações, talvez, ele perdesse a sua grandiosidade. 
David Levinthan foi genial na escrita desse livro, a narrativa em primeira pessoa é simples e fluida, daquele tipo que você não consegue largar o livro, principalmente por que há aquela curiosidade em como vai ser a vida do A no dia seguinte. Levinthan também enche o livro de “frases efeitos” que você as vezes para e pensa “cara, isso é pra mim”. E olha, minha paixão por livros começou quando eu tinha 6 anos, de lá pra cá eu li centenas de livros e ouso dizer que embora eu odeie esse adjetivo, “Todo dia” é o livro que para mim, chegou mais perto de ser “perfeito”.
 

 




Título Original: Every Day
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Paginas: 277
Ano: 2013
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0 thoughts on “Livro: Todo Dia – David Levithan”

  1. Já tinha ouvido falar muito sobre esse livro, mas nunca tinha parado para ler uma resenha! A sua está ótima por sinal.
    A história é realmente bem original, coisa que eu não imaginava que fosse. Fiquei realmente bem curiosa e tentada a aproveitar as promoções do submarino onde ele sempre aparece por R$ 10,00.

    Abraço!

    http://justonemomentt.blogspot.com.br/

  2. É o que eu disse, o que vale nesse livro nem é o romance, mas sim todo o contexto e background da historia, o romance é só uma base mesmo pra toda a grandiosidade da historia.
    Leia sim vc não vai se arrepender

    Abraços

  3. Acredita que essa semana mesmo quando eu fui á livraria eu cheguei á pegar nesse livro! Fiquei tentado em trazê-lo, mas acabei o substituindo por "Lua de Larvas", talvez, se eu tivesse lido seu post antes eu pensaria o contrário. Sabe aquele desespero de ler urgentemente um livro? Então, é exatamente isso que eu estou sentindo agora por esse livro. Adorei. Adorei também o seu blog. Seguindo.
    cronicasdeumlunatico.blogspot.com

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