quem é você alasca - "Quem é você, Alasca?" - John Green

Depois de me surpreender com “A Culpa é das Estrelas”, decidi mais uma vez me envolver com a fantástica narrativa do John Green. Assistir ao vídeo da Tatiane Feltrin onde ela conta que comprou todos os livros ´publicados do nosso querido John (sacaram à piada rs – ok não faço mais isso) e em determinado momento no vídeo, ela conta um pouco sobre “Quem é você, Alasca”, (que alias ela comprou o livro em inglês na edição em hardcover, que eu com certeza irei comprar daqui a uns meses porque ele é lindo) ela fala o quão bom é o livro e que ele é o livro no gênero Y.A. favorito dela. Fiquei bastante curioso pra lê-lo, pois queria saber se ele realmente era tudo isso e porque também era o único outro livro do John Green que foi publicado aqui no Brasil (agora já publicaram também Teorema Katherine e se eu não me engano vai ser lançado um livro que ele escreveu em parceria com o David Levithan). E acabei sendo surpreendido novamente.

“Quem é você, Alasca?” conta a historia de Miles Halter, que como a maioria dos personagens de John Green, é o típico adolescente Nerd Loser e meio anti-social cheio de pensamentos filosóficos e reflexivos, ele é fascinado por ultimas palavras, ou seja, ele lê a biografia de grandes pessoas e guarda pra si as ultimas palavras ditas antes dessas pessoas morrerem. O livro começa com ele convencendo seus pais a mandá-lo para um colégio interno, o mesmo colégio interno em que seu pai estudou, o Culver Creek, para procurar “o Grande Talvez”.

“Então, esse cara”, eu disse, parado à porta da sala. “François Rabelais. Era poeta. Suas ultimas palavras foram: ‘Saio em busca de um Grande Talvez.’ É por isso que estou indo embora. Para não ter de esperar a morte para procurar o Grande Talvez.


É com essa grande filosofia, que Miles vai para essa nova escola e logo faz amizade com seu colega de quarto, Chip Martin, mas conhecido por Coronel, pois ele é a grande cabeça por trás dos mais diversos trotes que rolam pelo campus de Culver Creek e é ele quem batiza Miles de Gordo, por que achou graça quando viu o quão magro, alto e desajeitado ele era. É por meio do Coronel, que Miles, ou melhor, Gordo, conhece Alasca Young, que acredito ser a grande protagonista da historia, ela é uma personagem única, que faz com que o livro realmente “valha a pena”, se é que eu posso dizer assim, Gordo a descreve da seguinte forma:

“Se as pessoas fossem chuva, eu era garoa e ela, um furacão”

E essa é a definição perfeita pra Alasca, ela é uma garota autentica que faz e fala o que quer e que segue as filosofias e caminhos que vir na telha dela, sem se importar muito pras conseqüências, alem de ser linda, e é claro que Gordo acaba se apaixonando por ela, porém essa paixão fica meio subtendida como uma paixão platônica, pois Alasca namora, e ela dá a entender que gosta muito do seu namorado, mas como disse ela é um turbilhão de emoções , enquanto num dia ela joga seu charme para Gordo, mostrando que se importa e que também sente algo por ele, no dia seguinte ela o ignora completamente e não demonstra não sentir nada.  Assim com Gordo, Alasca também tem seu grande questionamento filosófico.

Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em como será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.


E é essa questão que “ronda” toda a historia, “Como vamos sair desse labirinto?”. O livro é dividido em duas partes: o Antes e o Depois, na primeira parte há uma contagem regressiva “n dias antes” e conforme essa contagem regressiva vai chegando mais próxima do final, eu fiquei com aquela horrível sensação de que algo de muito ruim irá acontecer, e eis que acontece, na segunda parte “o Depois”, mostra todas as conseqüências de tal acontecimento e como os personagens lidam com isso. Enquanto na primeira parte há certa leveza enquanto Gordo descobre como é ser um “adolescente”, e se vê descobrindo a bebida, o amor, a amizades, o sexo, e etc. Na segunda parte temos um clima pesado, cheio de mais questionamentos filosóficos, reflexões sobre a vida e tudo mais, há um amadurecimento emocional enorme em todos os personagens, mas ao mesmo tempo é notável o quão eles não são maduros emocionalmente, é confuso, eu sei, mas acredito que quem leu o livro entende. E embora eu goste muito mais do titulo em inglês “Looking for Alaska” a tradução “Quem é você, Alasca?” caiu como uma luva pra historia.
A narrativa do John Green é simplesmente fantástica ele te prende a historia de uma forma tão intensa que quando você termina o livro, fica aquele vazio e você acaba criando varias reflexões e questionamentos pra sua vida. A forma como ele constrói a personalidade de seus personagens faz com que eles se tornem tão reais e “humanos” que não tem como não sentir falta deles. John Green com certeza entrou pra lista dos meus autores preferidos e eu leria até a lista de compras dele.
 “Quando os adultos dizem: “Os adolescentes se acham invencíveis”, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem  quanto estão  certos.  Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos.Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar.”
 
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