A culpa é das Estrelas

E para a primeira resenha que estou fazendo eu comecei bem heim… Só que não. Estou aqui a uns 20 minutos olhando para a página de postagem do blog tentando entender o que eu quero falar sobre esse livro, mas são tantas coisas e tudo tão confuso que nem sei por onde começar, então resolvi simplesmente escrever o que vier dando na telha.
Lembro que toda vez que eu passava em alguma livraria estava lá esse bendito livro em destaque nas prateleiras e como todo leitor, fiquei curioso e li o que estava escrito na contracapa e pensei ” ah, mais um romance tosco” e nem dei mais bola pra ele. Hoje eu vejo como fui tolo, ah, mas como fui tolo. Alguns dias depois vi um vídeo de uma das minhas vlogueiras favoritas, Sangerine, comentando sobre esse livro e ela falou tão bem que resolvi dar uma chance para ele. Baixei o primeira capítulo na Play Store e me apaixonei pelo livro ali naquelas primeiras páginas mesmo e corri para comprá-lo.
“E fiquei envergonhada ao olhar para ele. Não era páreo para a intensidade daqueles olhos azul-piscina.
— Podemos nos ver de novo? — perguntou, e havia um nervosismo fofo na voz dele.
Sorri.
— Claro.
— Amanhã?
— Paciência, Gafanhoto — aconselhei. — Assim vai parecer que você está ansioso demais.
— Exatamente. Foi por isso que falei ‚amanhã‛. Quero ver você de novo hoje à noite. Mas estou disposto a esperar a noite toda e boa parte do dia de amanhã.
Revirei os olhos.
— Estou falando sério — ele disse.
— Você nem me conhece direito. — Peguei o livro de dentro do console. — Que tal se eu ligar para você assim que acabar de ler isto?
— Mas você não sabe qual é o número do meu telefone — ele disse.
— Tenho motivos para acreditar que você anotou o número no livro.
Ele abriu aquele sorriso meio bobo.
— E você ainda diz que a gente não se conhece direito.”

Em qualquer outro livro, quando chega em um momento como esse, me bate aquela vontade de fechar o livro e entregá-lo para minha irmã mais nova e nunca mais pegá-lo, porém eu resolvi continuar a leitura e não me arrependi nenhum pouco. Podemos dizer que John Green deu um tapa na minha cara. 
Ele não é nem de longe o melhor livro que eu já li, mas com certeza foi o livro que mais conseguiu mexer com meu lado emocional, na capa do livro brasileira há uma frase de Markus Suzak, autor de “a menina que roubava livros” dizendo: “você vai rir, chorar e ainda vai querer mais” e é exatamente isso, não cheguei a chorar ao lê-lo, mas porque sou um insensível (não chorei nem lendo Marley e Eu), porém fiquei alguns dias refletindo sobre a vida, coisa que eu não faço muito.  O que mais me agradou no livro nem foi a historia em sim, mas em como os personagens eram “palpáveis”, todos com suas ideologias e filosofias meio nerds, que nas minhas pesquisas, eu descobri que é uma característica do John Green, todos os personagens dos seus livros são nerd’s e tem aquela personalidade meio boazinha, mas com grandes reflexões, e que pelo menos na minha opinião são as qualidades que torna Augustus e Hazel personagens únicos no “A culpa é das estrelas”.
O livro é narrado em primeira pessoa pela Hazel, uma garota de 16 anos, que tem que andar pra cima e pra baixo com um tubo de oxigênio (que ele carinhosamente nomeou de Felipe, pelo simples fato dele ter cara de Felipe), pois ela aos 13 anos  foi diagnosticada com câncer terminal de pulmão, mas conseguiu sobreviver esse tempo todo, graças a um “milagre da medicina”, a principio Hazel pode parecer meia chatinha e “reclamona”, mas não, ela não reclama do câncer, ela gosta de fazer piada sobres os clichês do câncer. Há uma citação da Hazel, que acredito foi o mais próximo de um desabafo sobre sua situação:
“As pessoas falam da coragem dos pacientes de câncer, e eu não nego. Por vários anos fui cutucada, cortada e envenenada, e segui em frente. Mas não se enganem: naquele momento, eu teria ficado muito feliz em morrer”
Os pais dela a “obrigam”, a ir a sessões de um grupo de apoio a adolescentes com câncer e em uma dessas sessões ela conhece Augustus, ou Gus para os íntimos, que é um ex-jogador de basquete, romântico, doce, sonhador (seu maior sonho é ser esquecido, o que me fez me identificar com ele), um péssimo motorista e ele não tem uma perna por causa do câncer que ele tem nos ossos, mas que já esta, vamos dizer, “controlado”. Os dois se tornam grandes amigos e dessa amizade vai nascendo um lindo romance, não aquele lindo romance clichê que temos aos baldes por ai, mas um verdadeiro lindo romance. 

“Vai chegar um dia — eu disse — em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui — fiz um gesto abrangente — vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz.” Hazel
— Eu estou — ele disse, me encarando, e pude ver os cantos dos seus olhos se enrrugando. — Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você, e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.  Augustus
Isso que eu chamo de “verdadeiro romance” …
No meio desse romance a Hazel mostra ao Gus seu livro favorito “Uma aflição imperial” que simplesmente não tem final (vocês entenderão quando lerem o livro) e os dois começam a compartilhar dessa aflição (sacaram rs), pois o autor do livro não fez continuação, não responde as cartas dos fãs, o homem simplesmente sumiu do mapa e bem… Se eu contar mais alguma coisa será spoiler e se você é manteiga derretida se prepare psicologicamente desde agora para o final do livro, que você já deve imaginar qual é e que mesmo assim vai te surpreender.
John Green, tem simplesmente uma narrativa incrível, leve e de fácil compreensão, característica desse gênero Jovem-adulto, mesmo seus personagens sendo tão complexos,  é uma leitura que te prende e se você for daqueles devoradores de livros, terminará em um dia.
Para finalizar um pouco do sarcasmo da Hazel:
“Eu: Se você quer que eu aja como adolescente, não me mande para o Grupo de Apoio. Compre uma carteira de identidade falsa para mim e aí eu vou sair à noite, beber vodca e tomar baseado.
Mamãe: Para início de conversa, não se toma baseado.
Eu: Viu? Esse é o tipo de coisa que eu saberia se você comprasse uma carteira de identidade falsa para mim.”
P.S.: Hoje durante minhas pesquisas descobri que vai haver uma adaptação cinematográfica pro filme e que será estrelada pela atriz Shailene Woodley, do filme “Os Descendentes”. Embora possa parecer uma noticia sensacional, eu to com um pouco de pé atras com essa adaptação, não por que acho que vão estragar o livro, mas por que acho que ele é o tipo de livro que não se adapta pro cinema.
















Titulo Originalthe fault in the stars
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Ano: 2012
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